Com o título acima, é publicado na Revista Visão desta semana um Ensaio do Filósofo José Gil, em que o mesmo aborda, o que na sua opinião (normalmente sempre bem argumentada e fundamentada) é a desgraça dos senhores que foram içados ao Poder e que nos últimos três anos e meio causaram os malefícios conhecidos à população e à economia.
Passo a citar algumas passagens que a mim me parecem elucidativas do que José Gil diz:
"Agora, é o princípio do fim. A governação começou a deslizar inexoravelmente para baixo. O Orçamento de Estado (OE) para 2015 marca esse momento. Múltiplos comentadores e analistas - insuspeitos, pois grande parte deles pertence ao PSD e ao CDS - mostraram como o OE agrava a austeridade, demonstrando ao mesmo tempo a retórica da «mistificação» que tenta dissimulá-lo. Mas não consegue. E a reação da opinião pública reflete esse falhanço da máquina governamental de «propaganda»: os portugueses já não acreditam nas promessas, nos truques mediáticos, no discurso que pretende apresentar o OE como um programa pós-troika que traz benefícios consideráveis para as «famílias», a natalidade, o ambiente, os pensionistas, etc. ... ".
Mais à frente, continua José Gil:
"O segundo fator que levou à entrada em «estado de desgraça» do Governo foi o próprio desgaste político que sofreu. Desgaste que vem de longe: este Governo começou a sua legislatura já desgastado - pela troika, pela sua incompetência, porque não sabia governar. As falhas regulares nas previsões (desde Vítor Gaspar), a luta constante para «fazer crer» (graças à retórica da propaganda) numa realidade que desmentia aqueles esforços, chegaram enfim a um limiar máximo de suportabilidade. ... ...O ápice - o limiar - desse processo autodestrutivo foi atingido recentemente com o que aconteceu e acontece na Educação e na Justiça. ..."
A terminar José Gil escreve:
"O estado de graça concede um tempo de experimentação em que o erro é desculpável. O estado de desgraça é indesculpável porque o erro se tornou a regra: virou do avesso a ordem de subordinação da crença (no) e do discurso, de tal modo que o que quer que diga e faça o poder redunda sempre em mais um erro e mais um falhanço. Assim se tece um destino. Sem a confiança dos portugueses e no grau zero da credibilidade, o atual Governo será varrido em 2015 da cena política. Por culpa sua. Sem desculpas «históricas» possíveis."
São citações longas, mas que demonstram aquilo que é indispensável que pessoas com este prestígio possam dizer, porque, regra geral, o dizem bem melhor.
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